Curiosidades sobre Chico Xavier
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José Divino Nunes, acusado de matar o melhor amigo, Maurício Henriques, só escapou da prisão perpétua porque o juiz aceitou o depoimento da própria vítima, psicografado por Chico Xavier. O caso aconteceu em outubro de 1979, na pequena cidade de Goiânia de Campinas, em Goiás. "Maurício" inocentou o amigo e ainda revelou a identidade do verdadeiro assassino, que só não foi preso porque conseguiu fugir a tempo. O dom de Francisco Cândido Xavier já salvou a pele de muita gente e acalmou a alma de outros tantos, trazendo notícias "do outro lado" para mães, viúvas e toda a sorte de aflitos.

Três surras por dia.
Aos quatro anos, quando contou para o pai, José Cândido, que um espírito andava lhe perturbando, a família pensou que o garoto estava com o "demônio no corpo". O padre Sebastião, da cidade de Pedro Leopoldo, interior de Minas Gerais (onde Chico nasceu em 1910), mandou a criança rezar mil ave-marias e caminhar, nas procissões, com uma pedra de 15 quilos na cabeça. Mas nem as penitências nem as três surras que a madrinha lhe dava diariamente, com hora marcada, para ver se o menino se livrava das "influências do mal", fizeram com que as almas do outro mundo o deixassem em paz. Quase 90 anos depois, ele continua recebendo mensagens dos espíritos.

No começo não foi fácil enfrentar o preconceito das carolas de Pedro Leopoldo, que achavam que o menino via assombrações porque tinha um pacto com o diabo. Mas logo que decidiu abandonar a doutrina católica, imposta pela família, e aprendeu os ensinamentos de Allan Kardec, o papa do espiritismo, Chico passou a não dar mais ouvidos à maldade alheia.

Quando psicografou seu primeiro livro, Parnaso do Além-Túmulo, que compila 259 poesias ditadas por 56 poetas mortos, entre eles Arthur Azevedo, Olavo Bilac, Castro Alves, Augusto dos Anjos e Alphonsus Guimarães, Chico Xavier ganhou notoriedade nacional. Alguns intelectuais se esforçaram em compreender como o estilo de cada escritor tinha sido respeitado pelo médium, ou seja, a maioria descartou a possibilidade de fraude ou charlatanismo. E a viúva do poeta Humberto de Campos não pensou duas vezes antes de exigir seu quinhão na cobrança dos direitos autorais sobre as poesias que o marido fez através das mãos de Chico Xavier. O caso foi parar no tribunal e o juiz pôs um ponto final na história polêmica com o seguinte veredicto: "O homem está morto e os mortos não têm direitos." Mas a melhor opinião sobre o episódio foi de O Estado de S.Paulo.
Em editorial, o jornal afirmou que se as poesias não eram de fato da autoria de Humberto de Campos, Chico Xavier merecia, no mínimo, uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Desde então, Humberto de Campos, provavelmente magoado com as intrigas que causou, nunca mais encarnou no médium mineiro. Quem não gostou nada da confusão foi Emmanuel, guia espiritual de Chico que o acompanha há mais de 60 anos. Emmanuel é um espírito que já esteve por aqui encarnado como o senador romano Publius Lentulus, morto em Pompéia, e depois como o escravo Nestório, também romano. Sua última encarnação teria sido o padre Manoel da Nóbrega, segundo Chico. Hoje, "do lado de lá", o guia rege a vida do médium, que não costuma dar um passo antes de consultá-lo. Desde conselhos como "só use seus ensinamentos para o bem" até "para curar a vista você precisa da medicina dos homens" são leis para Chico.

Multidão na porta Um deslocamento do cristalino e o estrabismo de nascença, que obrigam-no a usar óculos fundos de garrafa, fizeram com que ele procurasse a ajuda dos espíritos.
Ouviu de Emmanuel uma lição que jamais esqueceu: "Nunca nos procure para resolver seus problemas particulares e cuide de seu corpo."

Tarefa difícil para quem passou grande parte da vida dormindo apenas três horas por noite para conseguir atender o maior número de pessoas e ainda ter tempo para psicografar os mais de 200 livros que publicou.

Com a saúde debilitada depois de várias crises de angina e dois infartos, enxergando muito mal e ainda tomando medicamentos diariamente, Chico já não atendia mais tanta gente como há alguns anos. Mas mantinha um centro espírita em Uberaba, Minas Gerais, e passava os sábados recebendo uma multidão de pessoas que vinham de longe só para apertar sua mão.

VOCÊ SABIA?
Desde criança, tinha intimidade com o outro mundo. Como não era bobo nem nada, aproveitava as informações privilegiadas de espíritos com curso superior para fazer os trabalhos da escola. As professoras o consideravam um pequeno gênio. Mesmo assim, ele parou de estudar no quarto ano primário para ajudar no sustento da família.