ESCOLHA SEU TRATAMENTO
Fumantes diferentes fumam por razões
diferentes, consomem quantidades diferentes de nicotina, experimentam sintomas de
abstinência diferentes etc.. No momento de escolher um tratamento, tais fatores
necessitam serem levados em conta. Todos os métodos para cessação de fumar devem ser
orientados por um profissional qualificado objetivando sua administração correta e
motivando o fumante a deixar de fumar. Sem a orientação profissional adequada e sem a
decisão do fumante de abandonar o cigarro, todos os métodos para cessação de fumar
pouco ou nada adiantam.
Há várias maneiras de parar de fumar e
seu grau de eficácia varia de pessoa para pessoa:
1) Sem Ajuda
Profissional
2) Suporte
Psicológico
Terapias de grupo
- Baseado em tratamentos de outras drogas como álcool, cocaína, maconha etc.,
acredita-se que por estar vivendo uma situação semelhante, os membros do grupo se
espelham uns nos outros. Compartilhar experiências semelhantes e se identificar com o que
o outro está sentindo leva muitas vezes o paciente a sentir-se acolhido e compreendido.
Além disso, a recuperação de um paciente anima outros membros dando-lhes força para
fazerem o mesmo, funcionando assim como modelo.
Terapias
individuais - As terapias individuais são indicadas para casos de pacientes com
comprometimentos psiquiátricos graves ou que não desejem fazer o tratamento em grupo por
algum motivo.
3) Farmacoterapia
A Terapia de Reposição de Nicotina
fundamenta-se em oferecer ao fumante somente nicotina, sem o inconveniente dos demais
elementos tóxicos do cigarro. A utilização da TRN tem como objetivo o alívio do desejo
agudo de fumar, inclusive o desejo matinal intenso, bem como amenizar os sintomas da
síndrome de abstinência. A terapia consiste na redução gradual dos níveis
plasmáticos de nicotina até que o ex-fumante não sinta mais a necessidade de fumar. O
modo de ação da medicação na forma de chicletes e adesivos difere do modo de ação da
nicotina liberada no ato de fumar. Na TRN a nicotina é administrada pura, em
concentrações conhecidas e mais baixas do que as liberadas pelo cigarro.
A TRN é tida como o tratamento de primeira linha para quem quer parar de fumar. Contudo,
uma medicação que distribua nicotina no organismo de uma pessoa não constitui uma
terapia de cessação do hábito de fumar completa. Vários pesquisadores concordam que é
fundamental que haja alguma forma de intervenção psicoterapêutica em todas as terapias
para dependência de drogas. É importante saber que a utilização da TRN associada a uma
terapia (grupo ou individual), aumenta consideravelmente as chances de sucesso no abandono
do cigarro.
Existem também o spray nasal e os inalantes em aerosol para auxiliar quem deseja para de
fumar. A administração do spray nasal é por meio de gotas instiladas nas narinas. Estes
métodos podem ser utilizados isoladamente ou associados aos chicletes e adesivos de
nicotina. Sua maior desvantagem é que podem causar dependência para quem os utiliza.
Além disso, essas medicações ainda não estão sendo comercializadas no Brasil.
Efeitos Colaterais:
Chicletes de Nicotina: Gosto
desagradável, ardência na boca, hipersalivação, náuseas, vômito, soluços, aftas e,
mais raramente, diarréia.
Adesivos de Nicotina: Irritação
cutânea no local de aplicação, hipersalivação, náuseas, vômito, diarréia e
cefaléia.
Spray Nasal: lacrimejamento, aumento da
secreção nasal, irritação nasal e da garganta.
Inalantes: não há estudos aprofundados
sobre seus possíveis efeitos colaterais. Há o perigo de superdosagem, o que pode ser
fatal.
Contra-Indicações:
Hipersensibilidade ou alergia à nicotina
Problemas dermatológicos que possam
complicar a aplicação do produto (no caso dos adesivos)
Fumar durante o tratamento com
reposição de nicotina
Mulheres em vias de engravidar, gestantes
e lactantes
Casos de úlcera péptica, enfarto do
miocárdio, angina pectoris instável ou agravada, presença ou agravamento de dores
torácicas, arritmias cardíacas grave, AVC recente.
Pessoas que não fumam, crianças e
fumantes ocasionais.
A Bupropiona foi a primeira medicação
não-derivada da nicotina aprovada pelo Food and Drug Administration (FDA). O mecanismo
pelo qual a bupropiona age ainda não é bem conhecido, mas acredita-se que ela atue no
sistema dopaminérgico (libera dopamina gerando sensação de saciedade) e noradrenérgico
(reduz os sintomas da síndrome de abstinência), alterando portanto os mecanismos de
dependência e abstinência da nicotina. Embora seja tecnicamente um antidepressivo, a
bupropriona auxilia no tratamento do tabagismo, diminuindo o desejo de fumar. Seu efeito
começou a ser estudado, uma vez que, durante ensaios clínicos para confirmação de sua
eficácia antidepressiva, os pacientes fumantes relatavam diminuição do desejo de fumar.
Posteriormente, foram realizados estudos científicos com a bupropiona para comprovar se o
uso auxiliaria fumantes a pararem de fumar.
Efeitos Colaterais
Contra-indicações
Esquizofrenia
Epilepsia ou histórico familiar de
epilepsia
Alcoolismo
Psicose-maníaco-depressiva
Transtornos alimentares (anorexia nervosa
ou bulimia nervosa)
AVC · Cirurgia ou traumatismo craniano
Insuficiência renal e hepática
4) Outras Terapias
Acupuntura -
muito utilizada no Brasil apesar de não ter mostrado eficácia nos ensaios clínicos até
hoje realizados.
Hipnose -
não há estudos comprovando a eficácia da hipnose como técnica para parar de fumar.
Terapias
Comportamentais Aversivas - Visam à redução da atratividade do cigarro por meio
da indução de sintomas de intoxicação pela nicotina (tontura, náusea, dor de cabeça,
etc.). Esta técnica é pouco utilizada em virtude dos efeitos prejudiciais que pode
causar.
Meditação
Laser
Medicações Naturais
COMO PARAR DE FUMAR?
Existem basicamente duas maneiras de se abster do cigarro.
Escolha a que mais lhe agradar.
Parada Abrupta: Este tipo de parada caracteriza-se pela suspensão total do
cigarro em uma data pré-estabelecida por você. Dessa forma, você passa do número total
de cigarros consumidos para nenhum. Se você optou por utilizar a reposição (adesivos ou
chicletes), comece imediatamente após a interrupção dos cigarros.
Parada Gradual: Este tipo de parada
oferece duas possibilidades de reduzir gradualmente a quantidade de cigarros que se
fumava. Este processo de redução deve durar somente 6 dias . Se você optou por utilizar
a reposição (adesivos ou chicletes), só comece a usá-la quando tiver parado totalmente
de fumar.
a) Parada Gradual de Adiamento
Nesse caso você vai adiar a hora em que começa a fumar. Durante seis dias você deverá
adiar sempre um pouco mais o início do seu hábito de fumar. Veja um exemplo:
João acorda às 7:00 e vai dormir às 23:00. João decidiu parar de fumar e optou por uma
parada gradual de adiamento. Estabeleceu uma meta e iniciou seu tratamento numa
segunda-feira. Neste dia, João, que costumava fumar assim que levantava da cama, ou seja,
às 7:00, começou a fumar às 9:00 e passou o resto do dia fumando até a hora em que foi
dormir, às 23:00. No segundo dia João começou a fumar às 11:30 até a hora em que foi
dormir, às 23:00. No terceiro ele começou a fumar somente às 14:00 e continuou dormindo
no seu horário habitual, no quarto às 16:30, no quinto às 19:00, no sexto às 22:00. Se
João costuma dormir às 23:00, provavelmente ele fumou muito pouco nos últimos dias,
visto que teve pouco tempo para fumar.
Se você se identificou com João e acha que poderia parar dessa mesma forma, que tal
fazer a sua programação levando em conta seus horários e que ela deve durar apenas seis
dias, pois no sétimo você já não poderá mais estar fumando. Se você optou por
utilizar a reposição (adesivos ou chicletes), só comece a usá-la quando estiver parado
totalmente de fumar, ou seja, a partir do sétimo dia.
b) Parada Gradual de Redução
Nesse caso você vai reduzir o número de cigarros que fuma por dia. Durante seis dias
você deverá fazer uma programação de modo que cada dia que se passe você fumará
menos. Veja outro exemplo:
João fuma em média dois maços por dia, ou seja, 40 cigarros. João decidiu parar de
fumar e optou por uma parada gradual de redução. Estabeleceu a seguinte programação:
| Dia 1 |
Dia 2 |
Dia 3 |
Dia 4 |
Dia 5 |
Dia 6 |
Dia 7 |
| 30 cigarros |
24 cigarros |
17 cigarros |
10 cigarros |
5 cigarros |
1 cigarro |
Não Fumar
mais |
Se você se identificou com João e acha que poderia parar dessa mesma forma, que tal
fazer a sua programação levando em conta o número de cigarros que você fuma e que ela
deve durar apenas seis dias, pois no sétimo você já não poderá mais estar fumando. Se
você optou por utilizar a reposição (adesivos ou chicletes), só comece a usá-los
quando estiver parado totalmente de fumar, ou seja, a partir do sétimo dia.
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