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| 8 de março de 2006 |
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| FILANTROPIA |
| Faça uma boa ação |
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Centenas de entidades beneficentes paulistanas
vivem de doações. Quase tudo é bem-vindo, desde uma sacolinha de
roupas até móveis em bom estado
Marcella Centofanti
Mario Rodrigues
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| Doação ao Exército
de Salvação: vendas do bazar renderam 400 000 reais à instituição
em 2005 |
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As telefonistas do Centro Espírita
Nosso Lar Casas André Luiz atendem cerca de 300 ligações por dia. Do outro
lado da linha, estão pessoas interessadas em doar móveis, roupas, brinquedos,
eletrodomésticos, medicamentos, alimentos... Tudo é bem-vindo pela entidade,
que abastece seis bazares na Grande São Paulo. Em 48 horas, um dos vinte caminhões
de sua frota recolhe a doação, que pode ser tanto uma sacolinha com roupas
novas ou usadas (mas em bom estado) como um completo jogo de quarto. Ao cabo de
um mês, acumulam-se em torno de 7.000 objetos. "Quando você doa bens,
limpa sua casa, ajuda uma instituição e gera empregos", diz Jorge
Alexandre Lima, coordenador dos bazares das Casas André Luiz. "Mas se
poderia doar muito mais. Para uma cidade de 10 milhões de habitantes, 7.000
produtos por mês é pouco."
Está cada vez
mais fácil fazer o bem. Pelo menos catorze entidades paulistanas retiram
donativos em casa, algumas com data marcada (veja
uma lista). A maioria, no entanto, depende de o próprio doador fazer a
entrega. No site www.filantropia.org.br,
que tem mais de 1 000 acessos diários, o professor e consultor Stephen Kanitz,
colunista de VEJA, criou uma ferramenta que funciona como ponte entre quem quer
ajudar e quem precisa de ajuda. No link "Doando bens e produtos", o
internauta informa o que pretende oferecer e seleciona a cidade. Em seguida,
confere uma lista de instituições que necessitam daquele produto. Cerca de 320
ONGs da capital estão cadastradas. Além delas, há uma incontável quantidade
de escolas e igrejas que recolhem roupas e objetos para esporádicos bazares da
pechincha.
Mario Rodrigues
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| Jacqueline (à esq.):
roupas e brinquedos para a Aliança de Misericórdia |
Autor de um
anuário que analisa o desempenho de entidades sem fins lucrativos, Kanitz
afirma que a melhor maneira de contribuir é com dinheiro mesmo. Assim, fica
mais fácil para a instituição distribuir os recursos da forma que considerar
conveniente. Muita gente, entretanto, prefere ajudar com objetos usados de todo
tipo. "Sugiro que, antes de fazer uma doação, a pessoa entre no site e
confira as reais necessidades da instituição", aponta Kanitz. "Freqüentemente,
ela só faz o favor de recolher o lixo da casa dos outros." De fato, uma
grande parte do que chega aos bazares não serve para nada. São móveis com
cupim, vasilhas quebradas, fitas de vídeo emboloradas, livros rasgados e roupas
sem condições de uso. "Acabam transferindo para nós o trabalho de jogar
as coisas fora", diz Elca Krivkin, coordenadora do Breshopping, bazar da
Instituição Beneficente Israelita Ten Yad, que atua no combate à fome e
aceita todo tipo de doação – desde que não seja entulho.
Mas até lixo
há quem queira. Além de roupas, utensílios domésticos e livros, o Bazar
Samburá, do Lar Escola São Francisco, recebe materiais recicláveis, que são
vendidos como sucata. Tudo é aproveitado e revertido para a manutenção do
trabalho de reabilitação e inclusão social de deficientes físicos de baixa
renda. Ali, móveis e eletrodomésticos quebrados são igualmente bem recebidos.
Uma oficina faz reparos antes de colocá-los à venda. Montado num galpão de 3
000 metros quadrados na Vila Mariana, o Samburá é um dos bazares mais
movimentados e equipados da cidade. Abre de segunda a sábado, vende de tudo e,
em janeiro, recebeu 7 700 visitantes.
Fotos Mario
Rodrigues
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| Uma das seis unidades
do Mercatudo, das Casas André Luiz: 7 000 objetos recebidos por mês |
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Para algumas
entidades, os bazares são uma importantíssima fonte de recursos. Na Unibes,
que coordena diversos projetos de assistência social para 7 000 pessoas no Bom
Retiro, as vendas de materiais doados representam cerca de 15% de seu
faturamento anual. Nas Casas André Luiz, a porcentagem é maior: o Mercatudo é
responsável por 34% do seu orçamento. Ele ajuda a manter um hospital para
doentes mentais que abriga 630 pacientes internos e um ambulatório médico que
atende 800 crianças por mês.
Em 2005, os
lucros obtidos com o Salvashopping renderam 400 000 reais ao Exército de Salvação,
o equivalente a 9% de sua receita anual. As doações cresceram muito de um ano
e meio para cá, após um acordo com a Central de Outdoor, que cobra apenas a mão-de-obra
pela instalação de cartazes em pontos ociosos. Desde então, o Exército de
Salvação consegue manter de cinqüenta a 120 outdoors espalhados
simultaneamente pela cidade. Por causa da campanha, sua frota subiu de um para
quatro caminhões e passou a contar com uma van. Os cinco veículos retiram
donativos diariamente, em até 72 horas após a ligação. Aceita-se de tudo, à
exceção de sofás (que ocupam muito espaço e não são tão procurados),
materiais de construção e recicláveis. "As doações estão aumentando,
mas ainda são pequenas", afirma o major Dirceu Lemos, responsável pelo
Salvashopping. "Nos Estados Unidos, por exemplo, nossos bazares arrecadam
700 milhões de dólares por ano."
Fotos Mario
Rodrigues
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rigues
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| Bazar da
Unibes, no Bom Retiro: espaço de 320 metros quadrados foi organizado
pelas lojas Marisa |
Em instituições
mais carentes, a maioria das doações é aproveitada diretamente, antes mesmo
de ir para o bazar. É o caso da Associação Aliança de Misericórdia,
administrada por 250 missionários voluntários ligados à Igreja Católica. Seu
trabalho ajuda a sustentar mais de 400 famílias de baixa renda, mantém cinco
creches para 250 crianças e auxilia seis casas de recuperação para 250
moradores de rua. Na Aliança, tudo é bem-vindo: material de limpeza, roupa,
calçado, móveis, produtos farmacêuticos e alimentos. "Tem gente que,
quando vai ao supermercado, compra uns produtos a mais e traz aqui", conta
a missionária Eloisa Maria de Carvalho. Há três semanas, ela comemorou a
chegada de uma caixa de chocolates, que serviria de sobremesa para ser dividida
entre os moradores de rua que almoçam lá. Tocada pelo trabalho da Aliança, a
arquiteta Jacqueline Diniz costuma contribuir com a entidade. Da última vez, há
um mês, levou quatro sacolas de roupas e quatro brinquedos, separados por seu
filho de 6 anos. "Ele fez questão que tudo estivesse em bom estado",
diz. "As crianças aprendem com o nosso exemplo."
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